Franco e eu conhecemos a Casa Família Maria Porta do Céu no ano de 2001, através da associação Ágape, uma entidade italiana que acompanha diferentes realidades sociais em países com maiores necessidades, especialmente relacionadas às crianças.
Naquela época, o presidente da Ágape era o senhor Mário Verardi, uma pessoa maravilhosa, extremamente generosa e de coração muito grande. Foi graças a ele que aconteceu nosso encontro com a Casa Família. Eu havia conhecido a irmã Leida na Itália e foi ela quem nos falou sobre a realidade da instituição em Foz do Iguaçu.
Assim, em 2001, Franco e eu viemos ao Brasil para conhecer de perto esse trabalho. Naquele tempo, a Casa Família era coordenada pelas irmãs Celide, Leonilda, Claudete e também pela querida irmã Preta. As irmãs moravam no andar de cima da casa e as meninas ficavam no andar de baixo.
Havia cerca de 10 a 15 crianças morando ali, e a casa também recebia muitas outras que participavam das atividades no contraturno escolar. A Casa Família oferecia oficinas de esporte, ballet, artesanato e outras atividades educativas.
Para nós, que era a primeira vez no Brasil, foi uma experiência muito forte e profundamente marcante. Fomos acolhidos com muito carinho pelas meninas e pelas irmãs. Havia algo muito especial naquele lugar: uma alegria verdadeira que se sentia dentro da casa.
Nos anos seguintes, comecei a voltar todos os anos durante minhas férias para acompanhar esse trabalho. Eu mesma pagava minhas viagens e ficava hospedada na Casa Família ou na Comunidade dos Pequenos Trabalhadores (CDPT). Naquela época, todos os voluntários da Ágape custeavam suas próprias passagens e ajudavam como podiam.
Durante esses anos, acompanhamos também um projeto muito bonito chamado “Distribuído”, que buscava apoiar as famílias em situação de vulnerabilidade antes que as crianças precisassem ser acolhidas. A Casa Família contribuía com o acompanhamento social e a Ágape ajudava com alguns recursos. Era um trabalho importante de prevenção e apoio às famílias.
Outro gesto muito especial era levar cartas e pequenos presentes enviados por padrinhos e amigos da Itália para as crianças da Casa Família. Cada criança tinha um padrinho que acompanhava sua história. Quando entregávamos as cartas e os presentes, era sempre um momento de muita alegria.
Participei desse trabalho de 2001 até 2009. Nos primeiros anos estive com o Franco, depois continuei voltando sozinha, e mais tarde nos reencontramos. Em 2008 nos casamos e, em 2009, quando decidimos adotar duas ou três crianças, sentimos que Deus nos chamava para uma missão diferente: ser pais.
Foi então que encerramos nossa atuação como voluntários.
Hoje somos pais da Natália e da Lorraine, duas meninas maravilhosas que o Brasil nos presenteou. Somos profundamente agradecidos a Deus, ao Brasil e a todos vocês que continuam levando adiante esse projeto tão importante.
Ao longo dos anos, tivemos a alegria de ver muitas das meninas crescerem, estudarem e construírem suas vidas. Isso é uma grande alegria para nós.
Sabemos também que nem todas as histórias tiveram o mesmo final, e isso traz tristeza ao nosso coração. Mas seguimos confiando que cada gesto de amor sempre gera frutos.
A Casa Família fez parte de um tempo muito feliz da nossa vida. Foi uma experiência de grande alegria e aprendizado.
E espero que um dia possamos saber que as oficinas voltaram a acontecer, porque elas são muito importantes para conhecer e acompanhar as histórias das crianças que mais precisam.
Com carinho e gratidão,
Franco e Bianca Barletta